domingo, julho 01, 2012

OBLATAS PARA BANDITH - por Delasnieve Daspet



Oblatas para Bandith
        por  Delasnieve Daspet
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Como podemos quantificar a dor que sentimos quando morre alguém que a gente gosta ?
A morte deixa um grande vazio. Uma saudade enorme.
São pedaços diferentes da mesma dor; A dor da ausência.

Dia 29 de junho  eu levei o Dith para uma cirurgia. Acreditei que não
teríamos problemas. O nódulo em seu testículo estava enorme. Doia. Ele já não pulava. Andava devagarinho. Estava apegado a mim, totalmente, queria ficar no meu colo apenas.
Eu pensei em dar-lhe qualidade de vida. Ele  merecia. E como merecia.
Esse meu amigo, o Bandith, eu o comprei há 16 anos. Foi o único cachorro que eu comprei. Os outros eu ganhei. Era um poodle ( eu adoro poodles ) cinza,  meio preto e branco. Já estava com cataratas. E como bom velhinho já estava temperamental, ciumento, cheio de broncas. Mas um doce.
Era calado, carinhoso, confiável, leal. Por dezesseis anos privamos de sua companhia calma e amiga.
Sem arroubos, sempre presente.
Após a morte da Misha tornou-se exigente de minha presença. Assim era para sair na varanda, para comer.
Se posicionava ao meu lado e derramava em mim seu olhar enorme e doce, negro como seus pelos.
Nos amávamos. Nós a ele e ele a nos.
Por isso aceitei operá-lo. Nunca imaginei que ele fosse cardíaco. Não apareceu nada nos exames. Na ultrassonagrafia. Tudo estava Ok apenas senil, disse a veterinária. Mas a senilidade foi fatal junto com o coração idoso – teve três paradas cardíacas, e, mais uma vez vejo-me despedindo-me de alguém a quem muito amei e amo.
Fiquei com ele até o último suspiro. Falei com ele. Dei-lhe força e ânimo. Não adiantou. Foi-se. Seu coração grande e lindo parou de bater. Ele tinha um problema no coração e o sangue já não bombeava para o corpo. Complicou tudo....
E, ainda no domingo passado fomos ao parque, não nos deixaram entrar. Demos uma volta de carro e voltamos para casa.
Creio que quando perdemos um amigo nos tornamos menores.
Nossas referencias diminuem. O mundo meio que se achata.
Ficamos doloridos. O coração apertado. A  tristeza toma conta.
Vazio que não serão preenchidos por nenhum outro ser vivo.
Não posso evitar as lágrimas  de  minhas saudades... Pedaço diferente da mesma dor!
Obrigada, Bandith.
Conviver com você foi de muita valia para meu crescimento.
DD_ Delasnieve Daspet em 1º de julho de 2012 – 23,06 hs

Um comentário:

  1. Belíssimo desabafo! Imagino como esteja se sentindo. Eu também tenho um poodle (branco) há 8 anos e sei como eles são amigos, leais e companheiros. Fazem parte da família como se gente fosse. Só quem tem um cão em casa entende isso. Eles "falam" concosco do seu jeito e nós o entendemos perfeitamente. Coisas da natureza divina. É triste saber que eles têm uma vida tão curta e um dia o perderemos assim, de repente...

    Que Deus conforte seu coração, querida.
    Paz e Bem!

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