sábado, setembro 01, 2012

Morre o poeta - Homenagem prestada por Delasnieve Daspet ao poeta que parte!

Leonardo Batista Fernandes, de 19 anos e Breno Luigi Silvestrini de Araújo, de 18 anos
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HOMENAGEM AO JOVEM POETA LEONARDO BATISTA FERNANDES E SEU AMIGO BRENO LUIGI SILVESTRINI DE ARAÚJO ASSASSINADOS EM CAMPO GRANDE
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Poesias-->Morre o poeta. -- 18/10/2000 - 01:56 (Delasnieve Daspet)
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Cerrem as cortinas.
Abaixem a tampa do piano.
Recolham o bandolim.
Coloquem a bandeira a meio pau.
Que ninguem fale.
Caluda.
O poeta morreu.
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Nada mais triste que um poeta morto.
Pois morre a palavra,
A canção,
O desejo,
O sonho,
O amor,
Quem os cantará?
.
Quem olhará a brisa que de leve balança
os cabelos da noite?
Quem verá o triste sorriso do menino
faminto que cruza a rua dia após dia..
procurando um porvir?
Quem lembrará os velhinhos....
cujas lágrimas correm ...talvez com
saudades de uma junventude
fugaz e quiça feliz ?
Quem declamará os poemas ao
ser amado....ao amado amante..
que nem ousamos pensar ?
Quem chorará com pungência o
dia a dia do feijão com arroz?
Quem há de?!!
.
No silêncio da palavra,
na balbúrdia do som da noite,
um sino que ao longe dobra...
E o cantar da araponga que
homenageia a nossa viuvez....
.
Mas estrelas não morrem!
Seu brilho é infindo!
Ah! poeta!
Levanta!
Vem poeta,
falar a nossa fala...
vem cantar nossas desditas..
Em tua pena...
a nossa pena!...
Em teus versos...
a  nossa vida!
DD_Delasnieve Daspet  - Maio.2000 - Campo Grande MS.
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A vez do poeta
http://mrpossari.blogspot.com.br/2012/09/a-vez-do-poeta.html?showComment=1346523911539
 
Como dizer algo sobre a morte de dois jovens? Não tem muito o que dizer. Só espero que Deus possa cuidar destes e dos outros que se vão assim, tão de repente, de uma maneira tão cruel, deixando um vazio na vida de muitas pessoas. Não os conhecia, mas cada vez que sei de algo desse tipo sinto um inexplicável aperto no meu coração que sufoca tanto que até dói. Eram tão novos... Um deles era poeta. Poetas também morrem. É uma pena que só vamos valorizar as coisas destes quando se vão. E agora? Como é que vai ser? Se você não sabe, eu vou te dizer. Existe um pequeno segredo. O poeta sempre vive através de suas palavras, através de suas poesias. Hoje o meu blog não é meu, talvez seja de um louco, talvez seja de um gênio, mas com certeza é de um poeta.

A flor da montanha

O Dia está no fim
E ele ainda pode voltar
Dane-se o que vão pensar
Porque ele ainda pode voltar
O maior causo de todos

E de que falava mesmo?
Ah, sim, de voltar
Mas mais importante
Que voltar ou não
É ter a possibilidade
De voltar

Mas nunca se pode voltar
Mas imagine só as possibilidades!!
De se esfumaçar por lembranças
Em um quarto vazio
Onde minha perna titubeava
E eu a balançar
No quarto escuro onde
Eu ascendera a luz
No fim de um dia
Longo e sem tempo

E de que falava mesmo?
Ah, sim, de possibilidades
De Pessoa
Que se cruzava na rua subida
Questionando a realidade
De um papel distante e passado
Atônito à perplexidade de si
Se perguntando sobre o céu
Atras da rapariga que olhava
De baixo da janela

Inspiração ou sentido?
Que faço de mim?
Nestes versos tão simples
Tão rasos e ventos ao cabelo
Numa paisagem ampla
Que distancia o olhar
E da linha ao que se pensa
Sobre qualquer cosia
Tudo sobre o que há
A mais no mundo

Sobre
Os ventos que regam
De flores o chão das árvores
Pra ver se entendamos
De que se trata tudo isso
Mas mais importante
Que compreender o sentido
É o verbo
Que se parece com o vento
Que só é enquanto sopra

E só sopra enquanto é

Mais importante
Que compreender o sentido
É entender o entender
De apenas ser enquanto é

E de que falávamos mesmo?
Ah, si, nem sei eu mais
Acho que de poesia
Que só é enquanto sopra
Apenas poesia
Como ventos a rugir
E versos a clamar

*Dia de Sombra

O homem do peito vai quente
Segue sem jeito, sem gente
Com cara de sol e doente
Mordido de si em si mesmo
Como não sabe o que rege
E mutilando seu couro
E quente vai, sorridente
Batendo no peito sente
Bicho de raiva, me invente
Uma alavanca de luz.

Eu to estressado. Sei lá...
Mas não há ponto que prega
Todas quimeras que voam
Deixando azedo todo o ar
E cadê tudo de mim?
Eles estão todos longe
Então sou pouco, bem pouco
Sou quase nada, um broche
Que fura o peito de faca
Será que é o tempo fechado?
Espero que sim. Vem, sol,
Vem destapar essa sombra

*O sol sobre o mundo


Hoje acordei com os olhos mais atentos à beleza das coisas
E tudo tinha brilho
Era um toque de detalhe a mais
Acho que sou um louco, caro amigo
E quem me dera o ser
Vendo uma fantasia em cada som, cada traço
Vendo uma estória todos os dias
Acho que sei o quanto isso é bobo, meu caro
Mas hoje eu só quero escrever
Você entende o que eu digo?
Eu entendo o que você diz
Acho que sou um gênio
Arrancando uma lucidez de cada fio da realidade
Mas talvez isso também seja ilusão
Recebendo hormônio no cérebro como qualquer um na rua
E alterando, assim, meu estado de espírito
Ou então o mundo realmente me tem um brilho a mais
Talvez haja purpurina em meus olhos
Não, acho que sou apenas um poeta
Tentando fazer magia de onde é seco
Inventando estórias sobre tudo ao seu redor
Infantil e capenga como muitos poucos
Poetas idiotas achando que fazer verso é dádiva ou epifania


É, sou apenas um poeta
Talvez louco, talvez gênio
Mas apenas um poeta



Aí está. Poesias de autoria de Leonardo Batista Fernandes. O meu blog cede espaço para divulgar a visão de um garoto que via este mundo cruel de um jeito muito bonito, talvez até mais bonito do que ele seja. Agora estamos todos chorando, todos com raiva, todos ansiando por justiça. Espero que com isso a palavra justiça se torne parte da rotina das pessoas em todas as áreas da vida e não só no momento do desespero. E que essa justiça prevaleça e seja feita, e que você Leonardo Batista Fernandes, junto com o Breno Luigi Silvestrini de Araújo, possam, seja lá onde vocês estiverem encontrar conforto e paz. Meus lamentos e sentimentos as famílias.


http://tabacariapodepimenta.blogspot.com.br/ - Blog do Leonardo

Um comentário:

  1. Lindo Lindo Lindo! Triste mais muito Linto. Obrigada pela sua solidariedade amada Delasnieve.

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