domingo, junho 02, 2013

Noites de Silêncio - de Delasnieve Daspet

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Noite de Silêncio! 
 
                     Delasnieve Daspet
 
 
Silêncio!
Todos os segredos da noite
São meus.
Fito imóvel o  passear  do silêncio.
Tudo tão quieto no mundo em que vivo.
Tudo tão mudo na mudez  que é minha.
 
A metade do mundo dorme.
Só meus olhos abertos fitam
A escuridão indizivel!
Penso:
Existirá outro alguém
Que como eu espera a sua estrela,
Dentro de sua própria noite?!
 
Noite tão escura...
Tão densa;
Tão negra bruma;
Sem olhares,
Sem pensamento,
Sem verdades,
Sem mentiras,
Ôcas,
Sem vida.
 
Uma nuvem passa ao longe lentamente.
Sílfides cuidam dos barulhos das matas.
Netumo segura as ondas.
Não há marulhar.
Iara  mãe d'água segura o boto
Que não se faz homem.
Nenhum barulho,
Apenas o vazio.
 
E eu, ridiculamente só,
Na amplidão do universo,
Na madrugada me entrego
Ao devaneio e a saudade
Do sonho já  perdido!
DD_09.12.2001 ¹³hs_Campo Grande MS

2 comentários:

  1. Essa poesia, depois de criar coragem e entrar no face do meu amigo poeta e escritor, Alcides Bitencourt, executado friamente há poucos dias, me fez vê-lo na amplidão dos céus. Linda poesia, amiga!





    Anair Weirich
    anair_weirich@yahoo.com.br

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  2. Por vezes a solidão, o escuro diante dos olhos nos mostram tanto. A solidão nos faz ouvir o silêncio que grita em nós, no escuro da alma que tudo vê. Vazio é ausência de tudo, e não haverá jamais a ausência total se lá estivermos. Lições que precisamos aprender, sem que ninguém nos ensine. Um poema que fala de espaços a serem preenchidos, de frutos a serem colhidos nas manhãs. Muito bom, com argumentação inteligente e cuidadosa. Excelente !
    Ervin Figueiredo
    ervinrijo@gmail.com

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