Eu, Ju e Aida
quinta-feira, abril 02, 2009

Distâncias
Delasnieve Daspet
Os braços não se alcançam...
Ficaram longe.
Tão longe!
A ausência cada vez mais presente.
A saudade valoriza o inatingível...
Antes, quando nos encontrávamos, que loucura!
Eram beijos e abraços infindáveis,
De manhã, a tarde e a noite....
Como se a distância entre nós
Fosse espacial!
Hoje a nossa distância é de perspectivas,
Universal...
E percebo que não eras o que eu buscava,
Tampouco sou o que queres!
Temos sonhos diferentes.
Ao abrirmos as janelas
Descobrimos o vazio do outro lado!
DD_18--02-09- Delasnieve Daspet
domingo, março 29, 2009
poema no pôr do sol

Hoje, não!
Delasnieve Daspet
Hoje, especialmente, hoje,
não vou te olhar.
Não quero te ver ou sentir,
nem te saber.
Hoje,
vou fingir que não te vejo,
que não sei quem és,
nem o que queres.
Hoje, não!
A tristeza n´alma,
a carência me abraça,
estou pobre de sentimentos,
nada tenho para dar.
Hoje,
eu apenas quero dormir,
para não ver ou sentir
nem mesmo a minha dor.
Hoje, não....
Não vou sorrir nem te olhar,
viro as costas e sigo,
fecho as janelas para que percebas
que nada quero contigo.
Hoje, não!
Sabes que finjo,
sabes que é tudo mentira,
só não sabes os meus porquês...
Aliás, nem mesmo eu sei direito
não vou e nem quero definir
as sem-razões que invadem meu peito..
Hoje, não!
Hoje,
não me remeterás as lembranças
que não quero recordar,
não ficarei dolorida,
desencantada...
Impotente, grito, covardemente:
hoje, não!
DD_02-02-04 - Campo Grande MS
sábado, março 28, 2009
segunda-feira, março 16, 2009
Calidoscopio

Calidoscópio
Delasnieve Daspet
No tempo,
Olho toda a minha existência
Sem faltar nenhuma das minhas ações,
Boa ou má....
Vi-me em mil lugares diferentes...
Qualidades e defeitos,
Num eterno presente.
A percepção adquirida
Trazia à tona os mais insignificantes
Acontecimentos da minha vida.
Revivo momento por momento,
Período a período,
No mesmo tempo!
Em mim o silêncio.
Silêncio da morte.
Indefinível!
Todos meus atos perpassavam
Em minha lembrança
Cada vez mais forte...
Ah! Como ignorar-me?!
Olhos hermeticamente fechados...
Morrer e viver
Limiar tão estreito
Na fina lâmina do tempo...
DD_ Campo Grande-MS, 9/03;09
quinta-feira, março 12, 2009
Frágil...

Frágil...
Delasnieve Daspet
Mar azul opala
Calmo sem ondas
Dourado pelo sol
Que se põe alhures...
Encontro da terra, da água e do céu,
Infinito de nós.
Na areia turbilhões de
Asas brancas confundem-se
Com a espuma do mar.
No ruflar das asas brancas
- em louco bálé -,
Morrer... plantas esmagadass
Pelo vai e vem das ondas...
Solitária na imensidão,
Como um borrão na paisagem
Caminhava, só...
Imensamente só!
Frágil como um cristal!
DD _ Campo Grande - 10-03-09
quarta-feira, março 11, 2009
Destinos
Destinos.
Delasnieve Daspet
Lembro um sorriso
Que percorria teu rosto
Que abraçava teu corpo
Como uma brisa da tarde.
Lembro o andar másculo e suave
De gato manhoso
Um puma, no negrume da noite.
Lembro a voz de puro veludo
Barítono, forte
Que ecoa na memória
De tempos longínquos.
E no poente, no fim do dia
Sei a certeza de te amar
Cada vez mais.
O destino nos uniu
E nos manteve distantes!
_DD_14-10 - 02
Campo Grande MS
Delasnieve Daspet
Lembro um sorriso
Que percorria teu rosto
Que abraçava teu corpo
Como uma brisa da tarde.
Lembro o andar másculo e suave
De gato manhoso
Um puma, no negrume da noite.
Lembro a voz de puro veludo
Barítono, forte
Que ecoa na memória
De tempos longínquos.
E no poente, no fim do dia
Sei a certeza de te amar
Cada vez mais.
O destino nos uniu
E nos manteve distantes!
_DD_14-10 - 02
Campo Grande MS
quarta-feira, março 04, 2009
Chorar

Chorar
Delasnieve Daspet
É tanto sentimento alojado
no meu íntimo
que ao abrir as comportas da opressão
sempre choro.
Choro por estar feliz.
Choro de tristeza.
Choro por sorrir.
Choro - com lágrimas que
lavam a alma.
Na vitória. Na derrota.
Na emoção. Na satisfação.No prazer.
São lágrimas de conquista.
De reconhecimento. De consolo.
Da satisfação de um sonho realizado.
Lágrimas de recompensa
de longas noites de vigília e espera.
Choro por orgulho de saber chorar.
Lágrimas que lavam
uma dor incomensurável
que saem de uma alma ferida.
Choro a saudade
na sinceridade do afeto.
Não quero chorar o desespero
da imprudência ou da incapacidade.
Não quero chorar a intolerância.
Não quero chorar o desamor.
Não quero chorar a falta de
caridade e nem de remorsos.
Estas são lágrimas que não aliviam.
Quando chorar, quero a alegria da paz.
Devagar vou conhecendo
A força e a beleza no silêncio do chorar!
segunda-feira, março 02, 2009
Ondas no Tempo.

Ondas no Tempo.
Delasnieve Daspet
Como uma pedra
Que se joga no rio
Venho formando ondas no tempo.
Nada importa.
Onde eu vá
Sempre estarei sozinha.
Já não pertenço a lugar algum.
Tudo que me resta são sonhos.
Agora é tarde para mudar,
- Está tudo feito! -
A chuva continua caindo.
Chuva fina e constante.
Olho a chuva,
Não suporto mais vê-la cair...
Findou o inverno
E a primavera com seus brotos e flores
Já surge nas árvores,
Na curva dos dias de sol.
Repouso minha poesia e meu canto
Numa quimera!
Caminho ao teu encontro,
Beijarei tua boca cheia de palavras,
E a saudade líquida fluirá rolando face afora.
_DD_05-10-2002
Campo Grande MS
domingo, março 01, 2009
Há Um Silêncio Hoje
Há Um Silêncio Hoje.
Delasnieve Daspet
Silêncio agora.
SILENCIO HOY
Consciência é palavra feia
CONCIENCIA Y PALABRA FEA
Para quem nega a liberdade.
PARA QUIEN NIEGA LA LIBERTAD
Observo as flores,
OBSERVA LAS FLORES
Elas continuam crescendo,
ELLAS CONTINUAN CRECIENDO
Bebendo a água do orvalho.
BEBIENDO EL AGUA DEL ARROLLO
Chegamos na encruzilhada.
LLEGAMOS A LA ENCRUCIGADA
Não podemos voltar.
NO PODEMOS REGRESAR
Nem parar.
TAMPOCO PARAR
Devemos continuar.
DEBEMOS CONTINUAR
Ir.
IR
Fechar os olhos.
CERRAR LOS OJOS
Crispar os punhos.
CRISPAR LOS PUÑOS
O que tinha de aproximar
O QUE TENGA QUE ACERCAR
Apenas separou.
ACERCAR APENAS
O amor que existia ,
EL AMOR QUE EXISTÍA
Mesmo na vida,
IGUAL EN LA VIDA
É frio como a morte!
ES FRÍO COMO LA MUERTE!
Há um silêncio hoje.
HAY UN SILENCIO HOY
O adeus continua.
EL ADIÓS CONTINÚA
A noite pensa e dorme.
LA NOCHE PIENSA Y DUERME
__DD_18-10-02
Campo Grande MS
Delasnieve Daspet
Silêncio agora.
SILENCIO HOY
Consciência é palavra feia
CONCIENCIA Y PALABRA FEA
Para quem nega a liberdade.
PARA QUIEN NIEGA LA LIBERTAD
Observo as flores,
OBSERVA LAS FLORES
Elas continuam crescendo,
ELLAS CONTINUAN CRECIENDO
Bebendo a água do orvalho.
BEBIENDO EL AGUA DEL ARROLLO
Chegamos na encruzilhada.
LLEGAMOS A LA ENCRUCIGADA
Não podemos voltar.
NO PODEMOS REGRESAR
Nem parar.
TAMPOCO PARAR
Devemos continuar.
DEBEMOS CONTINUAR
Ir.
IR
Fechar os olhos.
CERRAR LOS OJOS
Crispar os punhos.
CRISPAR LOS PUÑOS
O que tinha de aproximar
O QUE TENGA QUE ACERCAR
Apenas separou.
ACERCAR APENAS
O amor que existia ,
EL AMOR QUE EXISTÍA
Mesmo na vida,
IGUAL EN LA VIDA
É frio como a morte!
ES FRÍO COMO LA MUERTE!
Há um silêncio hoje.
HAY UN SILENCIO HOY
O adeus continua.
EL ADIÓS CONTINÚA
A noite pensa e dorme.
LA NOCHE PIENSA Y DUERME
__DD_18-10-02
Campo Grande MS
quinta-feira, fevereiro 26, 2009
Assim Como As Folhas Que Tremem...

Assim Como As Folhas Que Tremem...
Delasnieve Daspet
http://www.delasnievedaspet.com.br/poemas1/assimcomoasfolhastremem.htm
Assim como o sol que se curva a cada manhã;
Assim como as folhas que tremem
Com a brisa refrescante;
Assim como um pássaro a céu aberto,
Numa ânsia que toma,
Assim, no meu silêncio, este lamento.
Escrevo no pó da estrada
A profunda dor de minha mágoa.
E na aridez de minha saudade,
Com o canto preso na garganta,
Sou a lágrima triste
Que pinga sobre tua lembrança!
Assim sou, assim sigo
Um mero reflexo na janela...
Esta mentira é tão real que dá pena,
Sem perceber, sou eu mesma, quem vaga,
Na multidão que não passa...
CAMPO GRANDE MS
31.05.04
sexta-feira, fevereiro 20, 2009
Vinte Anos

Vinte Anos
Delasnieve Daspet
Anos 70....
Flor de vinte anos,
Turbulentos anos,
País subjugado,
Censura explícita,
Período sem copas,
Amargas derrotas!
Jornais com receitas ou poemas,
Universitários reivindicando;
Leila Diniz incomodava com a sua alegria
Sem pudor, sem tabus.
Topetes, calças boca de sino,
Cuba livre, hi-fi, mini-saias,
Brilhantina e os embalos de John Travolta.
Cenas alternativas do underground,
Calça lee e jaquetas de franjas
Gritávamos contra o sistema...
Jemmy Hendrix e woodstock,
Beatles, Rolling Stones, Chico,
Caetano, Bob Dylan, Milton
Uma paranóia total!
Relembro e que nostalgia que dá...
Reuniões escondidas,
Cheirando subversão...
Viver todos os momentos...
No ar o hippie jeito de ser
Que ainda hoje perdura
- Paz e Amor -
Na distância que encolhe os dias!
DD_17-02-09-Campo Grande-MS
terça-feira, fevereiro 17, 2009
É TARDE DEMAIS?

É TARDE DEMAIS?
Delasnieve Daspet
É tarde demais para dizer que lamento?
Que são as pequenas coisas que contam?
Que a unicidade é o que busco?
Que ao abrir os olhos é a tua imagem que surge?
É tarde demais?
Quando disse que queria ser livre como um pássaro
Não imaginava uma vida de aventuras.
Pensei apenas em viver
Com as flores que matizam a vida,
Com o perfume que embalsama os sentidos
Com a ventura de gozar do céu azul,
Do crepúsculo suave do sol se pondo,
Das noites límpidas banhadas de luar.
Será muito tarde?
Sei que foi loucura!
Mas os valores materiais se consomem,
E eu queria e busquei raízes,
Precisava brilhar ao sol - cristalizada -
Como o orvalho pela manhã.
Será - assim, tão tarde?
Porque se fui - foi buscando algo.
Queria estar com o vento - sem monotonia.
Sou uma peregrina.
Errante!
É tarde?!
É o que tua ausência me questiona!
Mas se tudo o que foi dito nada muda
Saiba que vagarei pelo mundo
Viverei ao sol como um cigana.
Nas noites dormirei tendo por colchão a relva
E por cobertor as estrelas.
Não deixarei meu corpo esmorecer
Na mágoa da esperança que me manteve!
Se não tivermos mais tempo e
Ainda assim a saudade bater tua porta,
Veja-me através da pálida lua,
Sinta-me no perfume do vento,
Ouve-me nas cantigas das matas,
Ausculta-me no sussurro do mar.
E se a fome e a dor te transformar em áscua
Lembra-te: é tarde demais!!
DD_ 10 de agosto de 2001_Campo Grande MS
sexta-feira, fevereiro 06, 2009
FIM DE CASO

Fim de caso.
Delasnieve Daspet
Acabou.
Não me perguntes o porquê.
Não! Não te atormentes!
Acabou apenas,
Nada mais!
Quando quiseres lembrar-me
Bloqueie.
Finja que morri.
Faça de minha lembrança
A nuvem branca que
Ao longe se vê!
Melhor!
Me olhe como a fumaça
Que ao longe passa
E se dessipa no ar!
A comédia é finda.
Acabou sem aplausos.
Sem platéia.
Sem final.
Melancolicamente o pano caiu!
E...ficou o nada!
O vazio do tempo.
Que enregela a alma.
Que caminha célere...
Para onde?
Ficou a tristeza.
O Inverno.
E já não tenho a chama interna
Que me faz forte,
Claudico entro o concreto e o abstrato
Sem razão!
Ficamos com as sobras.
O beijo amargo.
O desamparo.
A mão pendendo no vazio.
O corpo gelado.
Nem côncavo. Nem convexo.
A gota de lágrima
Que se perdeu
Nas entranhas da terra.
Final de caso.
Nos perdemos como
Uma coisa sem valor.
*DD_ 28-8-2001_Campo Grande MS
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