sexta-feira, abril 02, 2010

Preocupo-me em ser brasileira em terras estrangeiras com bom produto em minhas algibeiras...




Abaixo um texto que escrevi sobre a minha estadia em Paris no 30º Salão do Livro:
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Vim, vi, venci.
por Delasnieve Daspet
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Salão do livro de Paris.
Trinta anos de realizações, e, nestes trinta anos meu livro De Liberté em Liberté chegou ao apurado paladar francês e europeu.
Esta nas livrarias. Esta sendo comercializado. O salão do livro de Paris é para isso – para se vender a obra e o autor a outras editoras e livrarias.
Toda a Europa estava lá, bem como todas as grandes editoras do mundo, até a nossa Biblioteca Nacional e a Editora das Universidades.
Fui à editora Flamarion ver os livros do Paulo Coelho – em nada diferentes do meu, a não ser, é claro, que ele vende milhões – mas um dia, ele começou como eu, numa editora pequena que o levou ao mundo.
Meu produto, também, é deveras diferente, eu sou poeta da BIOPOESIA – minha poesia é universal, falo a língua de todos – em todos os lugares – e, não preciso saber falar francês para ser entendida pela língua de Moliére, inglês para ser absorvida pela língua de Shakespeare, espanhol de Cervantes, ou alemão para ser entendida pelos conterrâneos de Goethe e, assim por diante.
O BIOPOETA é aquele que canta o homem e o planeta - o que fazemos pelo planeta, pelas plantas e animais, o que fazemos por nós, os homens – que habitamos este ponto azul do sistema planetário universal.
Conheci vários escritores e editores, em várias línguas e a todos pedi a leitura do LIBERTÉ e uma análise – seja qual for.
Estar aqui é a concretização do sonho de qualquer escrevinhador. Estar aqui é gritar ao mundo: EXISTO! Estar aqui, para mim, é retornar ao encontro dos meus ancestrais, que há mais de cem anos – saíram de Toulouse, e rumaram para a América do Sul.
Sinto-me em casa, a brisa fria da manhã, que corta, de encontro a minha face – é um afago que recebo de um passado longínquo... E a árvore desfolhada que vejo da mesa do café é o que restou do difícil inverno de muitos números abaixo de zero. Entretanto, tudo se faz tão belo!
Cedo fui buscar uma lan house – rodei quatro imensos quarteirões, fui a uma florida igreja e retornei ao hotel e olhei a placa da rua: Rua Gudin com Avenue de Versailles... É a historia que me abraça, e, eu abraçada a ela, sequiosa de mais saber, de maior aconchego.
O dinheiro é curto. Tomo um café reforçado... Aqui tudo é três vezes mais caro por conta do câmbio.
Apesar de tudo isso, sinto falta de nosso calor, de nossos encantos, de nossas mazelas... Por conta do Brasil comprei uma briga com o taxista – que quer nos dividir – todo o nosso imenso País – em lotes de 100 m2 – para que todos tenham oportunidade (dizer dele) para que os “sem-terra” possam ter seu espaço de trabalho.
Contesto, evidentemente. Disse-lhe que a carne que ele come, que os grãos que ele consome, vem da labuta desses agros-pecuaristas, e, que a política de distribuição de terras no Brasil – não funciona, que é uma política errada, porque o sem-terra na grande maioria das vezes revende a terra ou nada sabe fazer porque nunca sequer passou por uma propriedade rural.
Disse-lhe que precisamos resgatar – com urgência a dignidade de nosso povo – que vive de mendicância governamental - institucionalizada – chamadas de “bolsas”.
Disse-lhe, também, que aqui no Brasil a forma de se ver é diferente, somos um país-continente... cabe no Brasil quase toda a Europa...
Impressionante como todos querem nos dirigir e que tem fórmulas mágicas para isso – falei que o Brasil não tinha nem 200 anos de independência e do término da usurpação de suas riquezas pelos paises conquistadores. Que estamos caminhando, céleres, rumo a vitória – com erros e acertos – o que é normal em qualquer democracia.
Enfim, aqui estou e vim para ficar – e, FALANDO BEM O PORTUGUÊS – não me preocupo com qualquer outro idioma.
Preocupo-me em ser brasileira em terras estrangeiras com bom produto em minhas algibeiras.
Se tudo correr nos conformes – nos próximos dois anos estarei em alemão – na Feira de Frankfurt, depois em espanhol e em búlgaro. Em sueco já estou sendo traduzida.
Já temos editores e tradutores.
Apenas preciso ver se o Nelson-Tur* aguentará mais esta estocada desta destemida filha do pantanal de Mato Grosso do Sul, que mesmo não pagando a tradução – a viagem, alimentação e estadia são custos meus. Aliás – do Nelson, meu marido.
Recebi na Ala E-30 do Salon du Livre de Paris – outros escritores, editores, tradutores interessados no produto Delasnieve Daspet in Biopoesia.
Quero dizer que vim, vi e venci – como na famosa frase do general e cônsul romano Júlio César (47 a.C( veni, vidi, vici": - palavras em latim com que Júlio César anunciou em carta a um amigo a vitória sobre Fárnaces, em Zela, no Ponto, em 2 de agosto de 47 a.C.., citadas entre outras, por Suetônio ('Vida de Júlio César', 37).
Não, não sou pretensiosa. Sei o quanto valho.
E, digo aos brasileiros, não se deixem intimidar – somos valorosos e recebemos a TODOS – falem ou não nossa língua - com galhardia e educação.
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Delasnieve Daspet
Advogada, Poeta, Humanista
Paris, 28.03.2010.

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