domingo, dezembro 23, 2012

Meus encontros com o poeta Ledo Ivo - por Delasnieve Daspet

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 Meus encontros com o poeta Ledo Ivo - por  Delasnieve Daspet
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"" Como otros poetas de esta generación, volvió a algunas formas poéticas fijas, como el soneto, pero conservando un estilo libre y marcadamente personal.http://www.antoniomiranda.com.br/iberoamerica/brasil/ledo_ivo.html
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Conheci o poeta  Ledo Ivo. Estive com ele por tres ocasiões. Uma em Mato Grosso do Sul, outra em Brasilia, e, por último, na FLIPORTO - Feira Literária Internacional do  Pernambuco, que acontece em Olinda-PE.
Foi lá na FLIPORTO, ambos convidados e palestrantes, que tive o prazer de conversar longamente com ele, e, de ficar sabendo a sua posição sobre vários assuntos. Leu o meu poema ( 74... ) que está no  meu livro EM PRETO E BRANCO; nesse poema  - ( 74...) falo da fragilidade do homem quando ele completou com outra frase sua " Que eu mesmo, sendo humano, também passe mas que não morra nunca este momento em que eu me fiz de amor e de ventura":
Não quero a eternidade
Quero ser o que passa
Prefiro um voo de pássaro
Recuso-me a durar
e a permanecer.
Nasci para não ser
e ser o que não é
   ( poema “O Desejo”)
 
Apreciou a  minha temática social e disse que isso era uma necessidade - que  deveriamos falar, através da poesia, a nossa indignação sobre as mazelas sociais de nosso país.
E, disse-me para não parar e não temer nada nem ninguém. Fiquei feliz com o conselho pois sou exatamente assim. Guardarei comigo o  ensinamento de uma frase sua: "Na vida precisamos sempre usar máscaras, pois ninguém nos reconheceria se nos apresentássemos de rosto nu".
Mas, como digo sempre, poetas não morrem, encantam-se, e vamos encontrá-lo, eternamente, nas poesias e  nos vários titulos que nos deixou, entre os quais:  As imaginações (1994), Ode e elegia (1945), Ode ao crepúsculo (1948), Linguagem (l966), Estação Central (1968), Crepúsculo civil (1990), Curral de peixe (1995), O Rumor da noite (2000). E, nos versos:
 
Soneto Puro
Ledo Ivo
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Fique o amor onde está; seu movimento
nas equações marítimas se inspire
para que, feito o mar, não se retire
de verdes áreas de seu vão lamento.
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Seja o amor como a vaga ao vago intento
de ser colhida em mãos; nela se mire
e, fiel ao seu fulcro, não admire
as enganosas rotações do vento.
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Como o centro de tudo, não se afaste
da razão de si mesmo, e se contente
em luzir para o lume que o ensolara.
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Seja o amor como o tempo – não se gaste
e, se gasto, renasça, noite clara
que acolhe a treva, e é clara novamente.
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 BARULHO DO MAR
Ledo Ivo
Na tarde de domingo, volto ao cemitério velho de Maceió
onde os meus mortos jamais terminam de morrer
de suas mortes tuberculosas e cancerosas
que atravessam a maresia e as constelações
om suas tosses e gemidos e imprecações
e escarros escuros
e em silêncio os intimo a voltar a esta vida
em que desde a infância eles viviam lentamente
com a amargura dos dias longos colada às existências monótonas
e o medo de morrer dos que assistem ao cair da tarde
quando, após a chuva, as tanajuras se espalham
no chão maternal de Alagoas e não podem mais voar.
Digo aos meus mortos: Levantai-vos, voltai a este dia inacabado
que precisa de vós, de vossa tosse persistente e de vossos gestos enfadados
e de vossos passos nas ruas tortas de Maceió. Retornai aos sonhos insípidos
e às janelas abertas sobre o mormaço.
Na tarde de domingo, entre os mausoléus
que parecem suspensos pelo vento
no ar azul
o silêncio dos mortos me diz que eles não voltarão.
Não adianta chamá-los. No lugar em que estão, não há retorno.
Apenas nomes em lápides. Apenas nomes. E o barulho do mar.

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